terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Orações subordinadas adverbiais


Lembram-se das orações adverbiais? São aquelas orações subordinadas que têm a função de acrescentar circunstâncias de tempo, modo,  consequência, causa, proporção, concessão e outras à oração principal.
Vejam alguns exemplos:
Paulo estudou tanto que dormiu em cima dos livros.
Oração subordinada adverbial consecutiva - circunstância de consequência.

A mãe ficou assustada  quando achou o menino adormecido.
Oração subordinada adverbial temporal - circunstância de tempo.

Conquanto ele tivesse estudado o dia todo, não conseguia lembrar-se do conteúdo na prova.
Oração subordinada adverbial concessiva - circunstância de concessão.

A mãe levou o menino ao médico porque estava estressado.
Oração subordinada adverbial causal - circunstância de causa.

No próximo bimestre Paulo estudaria mais regularmente do que tinha estudado no bimestre anterior.
Oração subordinada adverbial comparativa - circunstância de comparação.

De acordo com os médicos, o stress causa severos problemas ao organismo.
Oração subordinada adverbial conformativa - circunstância de conformidade.

Se estudarmos adequadamente, aprenderemos melhor o conteúdo.
Oração subordinada adverbial condicional - circunstância de condição.

À medida que o tempo passa, adquirimos mais experiência.
Oração subordinada adverbial proporcional - circunstância de proporção.

A mãe acompanha o crescimento dos filhos para que sejam saudáveis.
Oração subordinada adverbial final - circunstância de finalidade.

Classifique as orações de acordo com a numeração seguinte:
1 - Subordinada adverbial causal.
2 - Subordinada adverbial temporal.
3 - Subordinada adverbial comparativa.
4 - Subordinada adverbial concessiva.
5 - Subordinada adverbial proporcional.
6 - Subordinada adverbial consecutiva.
7 - Subordinada adverbial final.
8 - Subordinada adverbial condicional.
9 - Subordinada adverbial conformativa.

(    ) Alice caminha mais rapidamente que Luísa (caminha).
(    ) Conquanto Luísa tenha saído mais cedo de casa, Alice chegou antes à escola.
(    ) Aprecio caminhar, se não for muito rápido.
(    ) Conforme dizem os médicos, a caminhada é um ótimo exercício.
(    ) Alice chegou antes porque caminha mais rapidamente.
(    ) Fico feliz quando o sol brilha e o céu está azul.
(    ) Ainda que o sol brilhasse naquela manhã, havia previsão de chuva.
(    ) À medida que a manhã avançava, o céu se tornava mais escuro.
(    ) Choveu tanto que as meninas precisaram telefonar para que a mãe as buscasse.
(    ) Os pais buscaram os filhos para que não ficassem doentes.

Objeto direto e objeto indireto

Recebi uma consulta sobre objeto direto e objeto indireto e sobre quando uma oração substantiva é objetiva direta ou indireta.
Vejam: o objeto direto, como o nome diz, é ligado diretamente ao verbo que complementa, enquanto que o objeto indireto é ligado ao verbo através de uma preposição.
É certo que há algumas exceções com o objeto direto preposicionado, como em "pegou da pena, tomou do instrumento". Mas são apenas exceções (que devem ser memorizadas, é claro).
Voltemos ao objeto direto. Veja o exemplo a seguir:
Luís escreveu a redação.
Sujeito: Luís.  Predicado: escreveu a redação. Núcleo do predicado: escreveu. Objeto direto: a redação.
"A" em "a redação" é um artigo e adjunto adnominal de redação. Logo, não há preposição. É um objeto direto.
Vejamos outro exemplo:
Mônica obedece a seus pais.
Sujeito: Mônica. Predicado: obedece a seus pais. Núcleo do predicado: obedece. Objeto indireto: a seus pais.
Aqui o "a" em "obedece a seus pais" é uma preposição e o objeto é indireto.

Passemos às orações substantivas objetivas diretas e objetivas indiretas.
Também nessas orações não há preposição inicial quando se trata de objetiva direta e há preposição inicial quando se trata de objetiva indireta.
Veja os exemplos:
Luís mencionou que a bebida alcoólica é uma droga lícita.
Oração principal: Luís mencionou.
Oração subordinada substantiva objetiva direta: que a bebida alcoólica é uma droga lícita.

Dependo de que você dê sua opinião.
Oração principal. Dependo
Oração subordinada substantiva objetiva indireta: de que você dê sua opinião.
Por que indireta? Porque apresenta a preposição "de".

Responda o exercício, classificando os termos e orações em negrito com "od" para objeto direto e "oi" para objeto indireto, inclusive para as orações objetivas diretas e objetivas indiretas.

Vi a verdade logo que cheguei.
Observei que o menino fumava escondido.
Quero que você se conserve saudável.
Ofereci ao menino uma fruta.
Ofereci ao menino uma fruta.
Apreciava que todos realizassem as tarefas.
Dependia de que todos chegassem.


Orações subordinadas substantivas

Um grupo de leitores que se prepara para uma prova solicitou que estudasse aqui as orações substantivas.
Vou atendê-los.

Orações subordinadas substantivas, como o nome diz, são orações subordinadas que têm funções próprias dos substantivos, como sujeito, objeto direto, objeto indireto.

Observe o período a seguir.

É importante que saibas a verdade.
A oração "que saibas a verdade" funciona como sujeito da oração principal "É importante".
Se modificarmos o período  tornando-o um período simples (com uma só oração), ficará assim: O conhecimento da verdade é importante. Neste novo período, o sujeito é "o conhecimento da verdade".

A classificação das subordinadas substantivas é a seguinte:
- Subordinada substantiva subjetiva - tem a função de sujeito.
É indispensável que você estude para a prova.

- Subordinada substantiva objetiva direta - tem a função de  objeto direto.
Desejo que você tenha sucesso nos exames.

Subordinada substantiva objetiva indireta - tem a função de objeto indireto.
Tudo depende de que te esforces.

- Subordinada substantiva predicativa - tem a função de predicativo.
O necessário é que estudes.

- Subordinada substantiva apositiva - tem a função de aposto.
O indispensável é isto: que procures informação.
O indispensável é isto: procurar informação.
Neste último exemplo, a oração é reduzida de infinitivo, isto é, tem o verbo no infinitivo.

- Subordinada substantiva completiva nominal - tem a função de complemento nominal (isto é, completa o sentido de um nome).
Tenho receio de que o rapaz se distraia no exame.
 Neste caso a oração subordinada completa o sentido do substantivo "receio".


No post de amanhã, apresento um teste sobre o assunto. Tudo certo?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra

Finalmente chegou o esperado dia das apresentações em comemoração ao Dia da Consciência Negra.
Os alunos dançaram e cantaram, valorizando a raça negra, formadora do povo brasileiro, a igualdade entre todos nós, humanos, a necessidade de evitar o racismo e de conviver em paz com todos.
Vejamos as fotos da apresentação das diversas turmas.















quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra

Neste dia 20.11, comemora-se o Dia da Consciência Negra. No Brasil, a raça negra é uma das que constituíram nosso povo. Da África vieram homens escravizados que trabalharam na construção de nosso país e, mesmo após a abolição da escravatura, seus descendentes foram humilhados e sofreram preconceito - situação que perdura até hoje.
O mural organizado pelos alunos em nossa escola lembra que devemos dizer "não" ao racismo.




terça-feira, 18 de novembro de 2014

Moçambique: visão de um moçambicano

Na última quinta-feira, como já registrei, um professor doutorando da UFG/IESA, nos mostrou a visão de um brasileiro em visita a Moçambique, país do sudeste africano.
Já na sexta-feira subsequente três professores doutorandos da mesma Universidade estiveram presentes em nossa escola, os professores Ernesto Jorge Macaringue, Daniel Zacarias e Leydi, que são docentes da Universidade Eduardo Moudlane, em Moçambique.
O prof. Ernesto Jorge apresentou-nos a palestra "A África em miniatura: Moçambique", mostrando aspectos do continente que se refletem no seu país. Demonstrou, por exemplo, que há um preconceito em relação à África que faz que seja percebida de forma negativa.
Apresentou-nos percentuais sobre as religiões praticadas no seu país, onde a maior parte é de cristãos, que, entretanto, conforme o palestrante, muitas vezes visitam o sacerdote ministrante de curas das religiões nativas, por não haver outra opção de tratamento para sua saúde. Ainda quanto à religião, há um percentual grande de moçambicanos islâmicos e uma minoria das religiões nativas, geralmente politeístas e de cunho animista.
Falou sobre a postura dos alunos em Moçambique, que consideram as aulas momentos formais a que comparecem sem usar os trajes tradicionais africanos, assistindo-as de forma bastante compenetrada.
A palestra chamou-nos a refletir sobre a forma de observar o continente africano. Vejamos a África e sua cultura sem preconceito.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A África visitada por um brasileiro






Neste mês de novembro,em que se comemora o"Dia da Consciência Negra"no dia 20, a escola está ornamentada com dois murais, um elaborado com imagens pesquisadas pelos alunos denunciando o racismo e outro mural apresentando uma exposição de fotos colhidas pelo professor doutorando da UEG/IESA Elias Rodrigues da Silva em Moçambique, país do sudeste da África, no Projeto Missão Científica e Exploradora Maputo.
Em palestra às sétimas e oitavas séries, no dia de ontem, o professor mencionou aspectos de sua visita ao país, em que observou aspectos econômicos, sociais e culturais.
Relatou o palestrante que teve ocasião de presenciar a apresentação de danças típicas do país, observar o comportamento dos estudantes nas universidades - e notar que apresentam muita disciplina e vontade de estudar, ver as pessoas vendendo produtos em feiras e à beira de rodovias, verificar o preço exorbitante dos imóveis.
Um dos slides apresenta o porto de onde partiram os homens escravizados para o ocidente. De lá vieram alguns dos ancestrais dos brasileiros.
Finalizando a palestra, um slide associava à luta pela Consciência Negra toda a luta contra a opressão do homem pelo homem, e mostrava sobre o mapa da África a imagem do grande líder da luta contra o apartheid Nelson Mandella, que chegou a ser presidente da África do Sul.
Respondendo a questões dos alunos, o palestrante referiu que é Português a língua praticada em Moçambique, em razão da colonização por Portugal, e que as pessoas são muito amistosas com os visitantes de outros países, não exercendo discriminação contra os estrangeiros de qualquer origem ou raça.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pequena canção da onda



Pequena canção da onda

Cecília Meireles

Os peixes de  prata ficaram perdidos,
com as velas e os remos, no meio do mar.
A areia chamava, de longe, de longe,
Ouvia-se a areia chamar e chorar!

A areia tem rosto de música
e o resto é tudo luar!

Por ventos contrários, em noite sem luzes,
do meio do oceano deixei-me rolar!

Meu corpo sonhava com a areia, com a areia,
desprendi-me do mundo do mar!

Mas o vento deu na areia.
A areia é de desmanchar.
Morro por seguir meu sonho,
Longe do reino do mar!

Cecília Meireles é escritora do século XX. Nasceu em 1901 e completaria hoje 113 anos.
Escreveu poemas sobre a natureza, a passagem do tempo e das coisas, a efemeridade da vida, o amor.
Leia o poema acima, que tem belas imagens sobre o mar, a areia, o vento...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Coesão - pronomes oblíquos


No artigo anterior, vimos o uso de pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele, nós, vós, eles.
O uso adequado desses pronomes, pode evitar repetições e melhorar a coesão do texto. Deve-se também cuidar para evitar seu uso, se for desnecessário.
Por exemplo,  vamos observar o período: "Leciono no CEF 08." Aqui não é necessário utilizar o pronome "eu", já que, pela forma verbal é possível deduzir o sujeito "eu".
Já em  "É necessário que eu venha pela manhã.", a forma verbal vale para a primeira e para a terceira pessoa, sendo necessário o uso do pronome para tornar claro o período.

Entretanto, quero tratar aqui dos pronomes pessoais oblíquos me, mim, te, ti, se, si, o(s), a(s),lhe(s), nos, vos. Eles podem muitas vezes ser utilizados para retomar termos mencionados anteriormente, melhorando a coesão.

Vejam o exemplo: "Minha mãe esteve hoje na escola. Eu lhe havia falado da reunião de pais para entrega do boletim."
Neste exemplo, o pronome pessoal oblíquo lhe refere-se ao termo "minha mãe", empregado anteriormente, evitando a repetição.

Utilize pronomes oblíquos para completar os seguintes períodos:

1 - Conheci a professora Celina na sexta-feira. Encontrei- ____ por coincidência no sábado num passeio.

2 - O candidato encontrou-me no shopping. Ofereci- ____ meu apoio.

3 - Joana sempre fala sobre seus pais. Conheci-_____    ontem na reunião escolar.

4 - Luísa tem uma pequena ave como mascote. Vi- ___ no quintal da casa de minha colega.

5 - Recebemos muitos livros no início do ano. Trazêmo-_____ sempre para a escola.

sábado, 1 de novembro de 2014

Nova temporada: coesão e uso de pronomes




Estou inaugurando uma nova temporada deste blog, já que voltei a lecionar Português em sala de aula.
Vou procurar deixar aqui algum conteúdo e atividades ligados ao que estamos estudando neste bimestre.

Começamos com a coesão textual e o uso de pronomes pessoais e indefinidos.
Coesão é o uso das corretas ligações num texto. Para uma boa coesão, é importante o uso de pontuação adequada, conjunções e outros elementos. Não é elegante, por exemplo, o uso de múltiplas repetições. Assim, as ideias são retomadas com o uso de sinônimos ou de pronomes. 
Os pronomes pessoais são de três pessoas (1a., 2a. e 3a.) no singular e no plural: eu, tu, ele; nós, vós, eles. A 1a. pessoa é a que fala, a 2a. é aquela com quem se fala e a 3a. é a de que se fala.
Já os pronomes demonstrativos são este(a), esse(a), aquele(a) e isto, isso, aquilo. A noção de proximidade no tempo e no espaço é o que diferencia o uso desses pronomes. Este e isto indicam proximidade da pessoa que fala ou maior proximidade no tempo e no espaço, esse e isso indicam proximidade do interlocutor e uma proximidade menor do que a indicada por este. Aquele e aquilo indicam distância do falante e do interlocutor (a pessoa que fala e a pessoa com quem se fala). 
Quanto às citações, este e isto indicam o que vai ser citado e esse e isso indicam o que já foi citado. 
Também em citações, este e isto indicam o que foi citado mais próximo e aquele e aquilo se referem ao que está mais distante.

Complete com os pronomes pessoais e demonstrativos adequados os seguintes períodos:

1) Carla, loira,  e Inês, de cabelos pretos, são colegas da mesma classe. _______  gostam de sentar juntas.

2) Chegando pela primeira vez naquela turma, observei as duas - Carla e Inês. __________ prende os negros cabelos num rabo de cavalo. ____________ mantém a cabeleira dourada solta e bem escovada.

3) Digo apenas ___________: as duas estão sempre atentas e estudam muito.

4) A sala tem uma mesa para o professor. _______ está cuidadosamente coberta com uma toalha quadriculada.

5) Há alunos de vários bairros na mesma sala.  ____________ faz com que seja difícil programarem reuniões para trabalhos em grupo.


Na questão 4, em lugar de usarmos um pronome pessoal, poderíamos utilizar um pronome relativo ligando as duas orações.
Como ficaria então o período nessa questão?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Superlativos eruditos

É bom prevenir-se e não correr o risco de errar em algum vestibular ou prova, ou mesmo num concurso.
Nem sempre os superlativos absolutos são aquilo que nos parece óbvio. 
Como sabemos superlativo absoluto sintético é aquela palavra que eleva a ideia expressa pelo adjetivo a um grau máximo, como "lindíssimo", "inteligentíssimo".
Há alguns adjetivos, entretanto, que formam o grau superlativo a partir do radical latino diretamente retirado do latim. Prestem atenção aos seguintes adjetivos e a seus superlativos:

amável          -      amabilíssimo;
bom              -      boníssimo;
cruel              -      crudelíssimo;
doce              -      dulcíssimo;
fiel                  -    fidelíssimo;
miúdo             -     minutíssimo;
magro             -    macérrimo;
pobre              -     paupérrimo;
sábio                -   sapientíssimo;
soberbo            -    superbíssimo.


Quanto ao adjetivo "magro", existem as formas populares "magérrimo" e "magríssimo". Entretanto, como em latim a palavra que corresponde a "magro" é "macer", o único superlativo erudito correto é "macérrimo".

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Hífen

Forno de micro-ondas

Há várias regras que orientam o uso ou não de hífen na ortografia. Encontrei esta semana na internet uma síntese das regras que facilita bastante o uso do hífen.
As regras que sintetizam todas as existentes atualmente sobre o hífen são as seguintes, observando a última vogal ou consoante do primeiro elemento formador da palavra e a primeira vogal ou consoante do segundo elemento.

1 - Quando houver vogais iguais ou consoantes iguais, usar hífen. 
Exemplos: micro-ondas, super-romântico.

2 - Quando houver vogais diferentes ou consoantes diferentes, não usar hífen.
Exemplos: autoescola, hipermercado.

3 - Quando houver uma consoante e uma vogal ou vice-versa, juntar e não usar hífen.
Exemplos: seminovo, superinteressante.

4 - Se o segundo elemento iniciar por r ou s e o primeiro terminar em vogal, dobrar o r ou s.
Exemplo: minissaia.

Com base nessas regras, justifique o uso ou não de hífen em
contrarregra, super-requintado, semiaberto, semiárido.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Funções da linguagem e internet

Hoje estou direcionando para um artigo do blog A internet e eu, em que falo sobre as funções da linguagem relacionadas ao uso da internet.
Veja.
Quando estudamos a comunicação, que é um dos conteúdos estudados no ensino médio, em língua portuguesa, examinamos as funções da linguagem. Esse estudo liga-se aos motivos por que usamos a internet.
Há alguns elementos na comunicação, como o emissor, que é a pessoa que fala, o receptor, a pessoa que recebe a mensagem, a própria mensagem que é passada, o contexto, o canal utilizado, que, no caso da internet, é ela própria e o código utilizado, que é uma linguagem com palavras ou não. 
Veja mais em Por que usamos a internet?


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Dom Casmurro e Otelo

Otelo e Desdêmona, pintura de Théodore Chassériau

Geralmente estudamos literatura aqui no Brasil com uma visão histórica, isto é, começamos do Descobrimento do Brasil, com a carta de Pero Vaz de Caminha e a literatura de informação e seguem-se os períodos literários, como Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo...Há outras formas de estudar literatura. Uma delas é estudá-la a partir dos temas abordados na literatura, e não só na literatura do país. Em "Dom Casmurro", de Machado de Assis, por exemplo, está presente o tema da traição. O mesmo tema é abordado em "Otelo", de Shakespeare. Isso foi motivo para uma redação proposta em recente exame, como alguns dos leitores sabem.
Um pequeno parênteses para informar que aqui na internet há um site gratuito, onde encontramos livros de literatura brasileira e de outras literaturas,  que podem ser baixados gratuitamente. É o site Domínio Público
Neste site, encontramos o livro "Dom Casmurro" aqui.
Se você pesquisar nesse site, no livro "Dom Casmurro", à página 61, encontrará o capítulo "Uma ponta de Iago", capítulo LXII, onde há uma referência ao despertar do ciúme em Bentinho por uma resposta do agregado José Dias a uma pergunta do próprio Bentinho sobre Capitu:
"— Tem andado alegre, como sempre; é uma tontinha. Aquilo, enquanto não pegar algum peralta da vizinhança, que case com ela... "
 A resposta faz com que Bentinho queira imediatamente visitar sua casa, com o pretexto de ver sua mãe, mas na realidade para ver pessoalmente o que está acontecendo na vizinhança.
O título do capítulo "Uma ponta de Iago" faz uma alusão ao personagem Iago, da peça de teatro"Otelo", de Shakespeare. Nessa peça, Iago arma várias situações com o intuito de despertar em Otelo o ciúme, fazendo-o imaginar que  Desdêmona, sua amada, tinha uma relação amorosa com Cássio. Você poderá ler o resumo da história aqui
A meu ver, em Dom Casmurro, não é José Dias que intencionalmente desperta o ciúme, pois é o próprio Bentinho que pergunta por Capitu e se preocupa com a traição a partir daí. 
Mais tarde, no capítulo LXX, há uma outra alusão a "Otelo", mencionando que as peças de teatro poderiam começar pelo final, que, em "Otelo", é a morte de Desdêmona, assassinada por Otelo, que se suicida depois, ao saber que a matara injustamente.
No capítulo anterior, o narrador Bentinho conta como Capitu conhecera Escobar, amigo de Bentinho de quem este se despedira efusivamente perto da casa da namorada, que espreitava por trás da janela fechada.
Conforme o narrador, ninguém poderia suspeitar nesse capítulo o final da história, que, como sabemos, seria a banição de Capitu, que morreu depois, acusada pelo próprio Bentinho de traí-lo com Escobar, que morreu acidentalmente.
Os dois livros, "Dom Casmurro" e "Otelo", são ligados pelo tema da traição. Entretanto, a meu ver, o surgimento da crença na traição  nas personagens Otelo e Bentinho tem matizes diferentes. Em Otelo, é insinuada por Iago. Em Dom Casmurro, é imaginada, apontada e insinuada pelo próprio narrador Bentinho. 
Uma dúvida paira: o narrador apontaria conscientemente a peça "Otelo" ligada à sua própria história por ter sido a traição naquela peça uma acusação falsa? 


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Gregório de Matos - "Desenganos ..."

Foto de Marluce Dias
É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.
É planta, que de abril favorecida,
Por mares de soberba desatada,
Florida galeota empavesada,
Sulca ufana, navega destemida.
É nau enfim, que em breve ligeireza
Com presunção de Fênix generosa,
Galhardias apresta, alentos preza:
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
De que importa, se aguarda sem defesa
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?
O título do poema acima é "Desenganos da vida humana metaforicamente". Foi escrito por Gregório de Matos, poeta que viveu no Brasil, na Bahia, no século XVII. O poema é um soneto, composição poética que apresenta dois quartetos (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos). Se estudarmos a literatura brasileira numa abordagem histórica, o autor Gregório de Matos deve ser associado ao primeiro período literário no Brasil, o Barroco. 
O tema do poema é a vaidade e há três metáforas no poema que se referem à vaidade. Metáfora é uma figura de linguagem em que duas ideias são ligadas entre si por uma relação conotativa, isto é, no sentido próprio não há relação entre as duas ideias, apenas no sentido figurado.
As três metáforas se aplicam à vaidade. A vaidade (A) é rosa (B). A vaidade (A) é planta (C). A vaidade (A) é nau - embarcação (D). O elemento A é ligado na primeira metáfora a B, na segunda a C e na terceira a D. E não há nenhuma relação no sentido próprio entre vaidade e rosa, vaidade e planta, vaidade e nau.
A metáfora se sustenta pela fugacidade desse sentimento, assim como são fugazes a rosa, a planta, a embarcação, pois a rosa murcha à tarde, a planta é logo cortada por um instrumento (ferro) e a embarcação pode facilmente vir a naufragar ao bater numa rocha (penha). Alguns autores comentam que a forma como são apresentadas as três metáforas, inicialmente rosa - planta - nau e depois nau - planta - rosa demonstra que a vaidade pode no início crescer, para depois diminuir e desaparecer. 
O tema da passagem do tempo e da fugacidade das coisas é comum no período barroco. Também é usual a figura de linguagem chamada antítese, além da metáfora.
Na antítese são apresentadas ideias contrárias. Assim, a ideia da rosa que rompe airosa pela manhã opõe-se à rosa que enfrenta a tarde (em que vai murchar), a planta favorecida por abril (primavera no hemisfério norte) opõe-se à planta cortada pelo ferro, a nau que se julga imortal (fênix, ave que renasce das cinzas) opõe-se à embarcação que naufraga na penha.
O poema inicia com a menção de uma pessoa, Fábio, num vocativo. Assim, o poema também se aplica a nós humanos. Portanto não devemos também ser vaidosos, porque tudo passa!


domingo, 26 de janeiro de 2014

Atividade sobre objeto direto e indireto - correção

Responda o exercício, classificando os termos e orações em negrito com "od" para objeto direto e "oi" para objeto indireto, inclusive para as orações objetivas diretas e objetivas indiretas.

Vi a verdade logo que cheguei. OD
Observei que o menino fumava escondido. OD (Or. subordinada subst. od)
Quero que você se conserve saudável. OD (Or. subordinada subst. od)
Ofereci ao menino uma fruta. OI
Ofereci ao menino uma fruta. OD
Apreciava que todos realizassem as tarefas. OD (Or. subordinada subst. od)
Dependia de que todos chegassem. OI (Or. subordinada subst. oi)


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Objeto direto e objeto indireto

Recebi uma consulta sobre objeto direto e objeto indireto e sobre quando uma oração substantiva é objetiva direta ou indireta.
Vejam: o objeto direto, como o nome diz, é ligado diretamente ao verbo que complementa, enquanto que o objeto indireto é ligado ao verbo através de uma preposição.
É certo que há algumas exceções com o objeto direto preposicionado, como em "pegou da pena, tomou do instrumento". Mas são apenas exceções (que devem ser memorizadas, é claro).
Voltemos ao objeto direto. Veja o exemplo a seguir:
Luís escreveu a redação.
Sujeito: Luís.  Predicado: escreveu a redação. Núcleo do predicado: escreveu. Objeto direto: a redação.
"A" em "a redação" é um artigo e adjunto adnominal de redação. Logo, não há preposição. É um objeto direto.
Vejamos outro exemplo:
Mônica obedece a seus pais.
Sujeito: Mônica. Predicado: obedece a seus pais. Núcleo do predicado: obedece. Objeto indireto: a seus pais.
Aqui o "a" em "obedece a seus pais" é uma preposição e o objeto é indireto.

Passemos às orações substantivas objetivas diretas e objetivas indiretas.
Também nessas orações não há preposição inicial quando se trata de objetiva direta e há preposição inicial quando se trata de objetiva indireta.
Veja os exemplos:
Luís mencionou que a bebida alcoólica é uma droga lícita.
Oração principal: Luís mencionou.
Oração subordinada substantiva objetiva direta: que a bebida alcoólica é uma droga lícita.

Dependo de que você dê sua opinião.
Oração principal. Dependo
Oração subordinada substantiva objetiva indireta: de que você dê sua opinião.
Por que indireta? Porque apresenta a preposição "de".

Responda o exercício, classificando os termos e orações em negrito com "od" para objeto direto e "oi" para objeto indireto, inclusive para as orações objetivas diretas e objetivas indiretas.

Vi a verdade logo que cheguei.
Observei que o menino fumava escondido.
Quero que você se conserve saudável.
Ofereci ao menino uma fruta.
Ofereci ao menino uma fruta.
Apreciava que todos realizassem as tarefas.
Dependia de que todos chegassem.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Muito estudo em 2014!

As férias agora se aproximam do final. Creio que todos descansaram bastante e estão ansiosos por voltar aos estudos. As aulas iniciam mais cedo, neste ano, porque teremos férias ou recesso na época da Copa do Mundo de futebol.
Que tal dedicar-se bastante ao estudo de Português neste ano? Sei que muitos passam longas horas fazendo cálculos de Matemática, Física e Química, mas estudam rapidamente as disciplinas ligadas a linguagens.
A linguagem é a base para a aprendizagem, o estudo, as provas. Você jamais entenderá qualquer disciplina ou se sairá bem em qualquer exame, se não se sair bem na leitura e compreensão de textos. 
E a redação não serve apenas para não ser eliminado nas provas. Ela demonstra como você se sai em comunicação escrita e na compreensão de um texto ou de um enunciado. Isto é, ela mostra em que nível você se encontra no domínio da linguagem.
Na prova do Exame Nacional do Ensino Médio, a redação representa 50 por cento do total de pontos válidos na avaliação.
Para você aprender cálculos matemáticos, precisa praticá-los. Para aprender redação, terá de praticar redação. Deve escrever umas três redações por semana, pedir a um professor que as corrija e passá-las a limpo depois de corrigidas. A correção serve para aprender e não para atribuir nota. Assim, não só em redação, as provas devem ser relidas após corrigidas, para que resultem num aprendizado.
Outra observação que você deve fazer é a da forma de avaliação na Universidade ou Faculdade em que pretende se inscrever para fazer exame vestibular. Observe como são as provas, o peso atribuído a cada disciplina, se é possível concorrer com a nota do ENEM, para estar preparado no fim do ensino médio para concorrer a uma vaga e prosseguir seus estudos. Se houver peso maior em determinadas disciplinas, dependendo do curso que você pretende fazer, vale a pena estudar mais essas disciplinas, para aumentar sua pontuação.
O tipo de questões, a forma de avaliação utilizada também são pontos a serem observados. Se houver um fator de correção, em que uma questão errada diminua pontos obtidos nas corretas, é bom preparar-se para não "chutar", ou seja, não responder se não tiver uma ideia precisa do que está sendo perguntado e da resposta, porque, agindo assim, não haverá muitos pontos negativos.
Faça um planejamento neste início de ano, principalmente se já estiver no ensino médio e se já tiver resolvido o curso que pretende fazer e as instituições em que é possível se inscrever. Caso já esteja no terceiro ano, é hora de decidir já e preparar-se bem para a continuidade de seus estudos.
Bom ano letivo!