quarta-feira, 26 de junho de 2013

Literatura brasileira

A literatura pode ser estudada de uma forma histórica ou não.
Você pode estudar em ordem cronológica os movimentos estéticos ou pode estudar textos esparsos,  ligando-os pela temática, por exemplo.
No meu entender, é importante ter conhecimento dos diversos movimentos estéticos para obter uma ideia geral da literatura brasileira, embora o principal em literatura seja a leitura e estudo de textos.
O Brasil, como se sabe, foi descoberto em 1500. Isto é, em 1500, uma nau portuguesa chegou ao Brasil, conheceu os primitivos habitantes e passou a mandar primeiro degredados (pessoas condenadas deportadas) e depois colonos para cá. No século 16 (de 1501 a 1600), havia pouquíssimos habitantes no Brasil e a literatura produzida aqui reduziu-se a cartas de informação sobre a terra para Portugal, inclusive a primeira carta de Pero Vaz de Caminha, e a literatura de catequese dos índios pelos jesuítas, como Padre Anchieta.
No início do século XVII (1601), começa-se a produzir poesia no Brasil, usando um modelo de um movimento estético existente na Europa, o Barroco. O Barroco, criado a partir da influência da Contra-reforma católica, tem em si a oposição entre o teocentrismo medieval e o antropocentrismo do Renascimento. A literatura usa muitas figuras de linguagem e as antíteses ( por exemplo, "céu e terra","pecado e perdão") ilustram essa ambivalência ou presença de características opostas na mesma estética barroca.
No final do século XVIII (depois de 1750), os poetas passam a produzir no Brasil a partir de um novo modelo - o Arcadismo. Procura-se reviver as características do Renascentismo, como a mitologia grega.
Os poetas passam a apresentar a característica do bucolismo, que é o amor à natureza e fingem-se de pastores que vivem no campo cuidando de ovelhas e amam outras pastoras, embora na realidade vivam na cidade e exerçam profissões como a de advogado. É a época da Inconfidência Mineira no Brasil e aparecem aí as "Cartas Chilenas", de Tomaz Antonio Gonzaga, uma exceção dentro do Arcadismo, pois a temática é uma crítica velada ao governo colonial português no Brasil. Um autor fictício critica os desmandos de um certo fanfarrão Minésio, num país também fictício. Mostro depois um texto dessas cartas. É bem interessante.
No século XIX, chegamos ao Romantismo, o próximo movimento estético no Brasil. Os românticos "importaram" da Europa características como subjetivismo (expressão dos sentimentos do "eu" poético - a pessoa que se expressa nas obras literárias), sentimentalismo, fuga do presente e fuga do espaço em que o poeta vive, pessimismo, até elogio da morte em alguns momentos. Mas ao mesmo tempo os românticos brasileiros apresentaram características de uma temática brasileira, como o indianismo (presença de um índio idealizado nas obras do período, como as de José de Alencar) e o condoreirismo, poesia que exalta causas políticas, como a do abolicionismo no Brasil, já no último período da Romantismo brasileiro, com Castro Alves.
Vejamos um texto que mostra o indianismo romântico, um fragmento do poema Leito de folhas verdes, de Gonçalves Dias, poema que lembra as cantigas medievais de amigo, com uma mulher apaixonada chamando o amado distante. Mas lembrem que este poema foi escrito durante o Romantismo, no século XIX, embora apresentando também esta característica, além das características românticas.

Leiam o texto, extraído de  Leito de folhas verdes

Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
à Voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.

(...)

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes

À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!

Em resumo, a pobre indígena brasileira apaixonada prepara um leito de folhas embaixo de uma mangueira e seu amado, Jatir, não aparece durante toda a noite. O sol já nasce e nada de Jatir. Entenderam?


Também foi escrito durante o Romantismo, no romance Iracema, de José de Alencar, o seguinte fragmento, que apareceu numa recente prova de um grupo de estudantes que acessa este site.

" - Neste momento, Tupã não é contigo! replicou o chefe. O Pajé riu; e seu riso sinistro reboou pelo espaço como o regougo da ariranha. - Ouve seu trovão e treme em teu seio, guerreiro, como a terra em sua profundeza. Araquém, proferindo essa palavra terrível, avançou até o meio da cabana; ali ergueu a grande pedra e calcou o pé com força no chão; súbito, abriu-se a terra. (...)"

No próximo post, trato do Realismo e Naturalismo.
Até lá.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sobre redações

Bom dia, leitores!
Estamos em nova semana.
Vou falar um pouco hoje sobre redações.
Vocês sabem que é necessário estudar todas as disciplinas - e muito - para obter sucesso no vestibular.
Você está correto em estudar Gramática, Literatura, Matemática, Física, Química, Biologia, Filosofia, Sociologia...
Entretanto nos exames vestibulares e no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), que é utilizado como forma de ingresso nos cursos superiores, é importante obter nota em redação. A nota baixa em redação desclassifica o aluno, como sabemos.
Acrescento aqui só algumas dicas básicas sobre redação.
Em primeiro lugar, a redação deve situar-se dentro do tema proposto. Na UnB, em nossa região, e em outras universidades, são disponibilizados vários textos para que o aluno observe em que contexto deve escrever sua redação. Uma qualidade básica que a redação deve conter é a coesão: deve haver ligações corretas dentro do texto, com a utilização de pontuação, conjunções, preposições e mesmo uma ordenação lógica das ideias nos diversos parágrafos - aquela ideia de princípio, meio e fim. Outra qualidade é a coerência, isto é, você não pode iniciar uma redação sobre o tema proposto e depois acrescentar linhas sobre outro tema, como uma receita de bolo. Por isso, a redação passará a ser desclassificada se for incoerente nesse sentido.
A redação é examinada de uma forma geral, quanto à coesão e coerência - ordenação e clareza das ideias, colocações dentro do tema - e depois são descontados os erros na utilização da língua, como erros de acentuação, ortografia, pontuação, regência e outros. Por isso, é necessário conhecer esses diversos pontos de gramática para escrever corretamente dentro do nível culto da língua portuguesa.
Procure escrever com uma letra bem legível, para facilitar a correção - é outra dica.
Parabéns a você que costuma informar-se em várias fontes para  obter sucesso em seus estudos.
Se quiser consultar um curso fácil e econômico sobre redação e outros cursos, veja o link:
Cursos online.

Tenham uma ótima semana e continuem visitando o blog, porque estarei falando durante esta semana e a próxima sobre literatura brasileira.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Teste sobre orações subordinadas substantivas

Aqui está o teste prometido no post de ontem sobre as orações subordinadas substantivas. Resposta amanhã.

Numere a segunda coluna de acordo com a primeira.

1-  Oração subordinada substantiva subjetiva.
2 - Oração subordinada substantiva objetiva direta.
3 - Oração subordinada substantiva objetiva indireta.
4 - Oração subordinada substantiva apositiva.
5 - Oração subordinada substantiva completiva nominal.
6 - Oração subordinada substantiva predicativa.


(    ) O essencial é que defendamos os princípios.
(    ) Aprecio que reclamem seus direitos.
(    ) Consta que o protesto foi pacífico.
(    ) Todos apreciamos que os governantes administrem bem.
(    ) Digo-te uma verdade: que a vida continua.
(    ) Dependemos de que os nossos interesses sejam preservados.
(    ) É importante que se portem como cidadãos.
(    ) Havia medo de que os protestos se tornassem violentos.


Lembretes:


As orações subordinadas substantivas subjetivas vêm após expressões como "é importante que", "convém que", "consta que", "urge que".As orações subordinadas substantivas objetivas direta e indireta complementam verbos transitivos diretos ou indiretos (estes com o uso de preposição).
A oração subordinada substantiva predicativa funciona como predicativo, sempre com verbo de ligação, por exemplo, "é", "foi".
 A oração subordinada substantiva apositiva funciona como aposto e geralmente aparece após o uso de dois pontos.


Resposta do teste:

( 6 ) O essencial é que defendamos os princípios.
( 2 ) Aprecio que reclamem seus direitos.
( 1 ) Consta que o protesto foi pacífico.
( 2 ) Todos apreciamos que os governantes administrem bem.
( 4 ) Digo-te uma verdade: que a vida continua.
( 3 ) Dependemos de que os nossos interesses sejam preservados.
( 1 ) É importante que se portem como cidadãos.
( 5 ) Havia medo de que os protestos se tornassem violentos.




segunda-feira, 17 de junho de 2013

Teste sobre orações coordenadas

Ontem, postei o  teste a seguir. Aqui está a solução. Se você não leu a postagem de ontem, faça isso agora em Orações coordenadas antes de consultar a resposta.

Numere a segunda coluna de acordo com a primeira.


1 - Cheguei cedo, pois gosto de escolher um lugar na plateia.

2 - Estudou e pesquisou muito, fez várias provas como treineiro, conseguiu ser aprovado no vestibular, pois.

3 - No curso fundamental não sabia estudar, mas aprendi agora.

4 - Presto atenção nas aulas, que preciso aprender o conteúdo.

5 - Ou vou para a escola hoje, ou terei um mau resultado na prova.

6 - O menino não vacilou nem tremeu.


(6) oração coordenada aditiva.

(5 ) oração coordenada alternativa.

(2 ) oração coordenada conclusiva.

(3 ) oração coordenada adversativa.

(1 e 4) oração coordenada explicativa.









domingo, 16 de junho de 2013

Orações coordenadas

Um grupo de leitores me comunicou que terá prova nesta semana sobre as orações coordenadas. Vamos estudá-las.

Se você pensar numa empresa com vários departamentos e divisões dentro dos departamentos, as orações coordenadas corresponderiam a essas divisões dentro dos departamentos ou também corresponderiam aos vários departamentos. Todas as divisões funcionam em conjunto, dentro de um contexto, sem que nenhuma seja mais importante que a outra. Os departamentos também são coordenados entre eles.
Se tivermos orações principais e subordinadas, na mesma comparação, as principais seriam os departamentos e as subordinadas as divisões que são a eles literalmente subordinadas.  Sem as orações principais, as subordinadas ficam sem sentido, assim como, sem os departamentos, as divisões ficam soltas.

As orações coordenadas podem ser sindéticas ou assindéticas. Essa denominação deriva de síndeto, que significa "o que serve para ligar e unir". Por isso, sindéticas são as que têm uma conjunção que as liga a outra oração. Assindéticas são as que não têm conjunção e são separadas por vírgulas.

Orações coordenadas assindéticas:

Cheguei cedo, fui para minha sala, cinco colegas já tinham chegado.

As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com a relação que mantêm dentro do período. Por exemplo, coordenadas aditivas adicionam ou somam uma informação, coordenadas adversativas apresentam uma ideia que se opõe ao que foi exposto, coordenadas explicativas trazem uma justificativa para o que foi dito antes.

São estas as orações coordenadas sindéticas.

Aditivas : usam as conjunções e, nem;  dão ideia de soma:
É um domingo de sol e o Brasil vai jogar.

Adversativas: usam as conjunções mas, porém, todavia, entretanto; dão ideia de oposição:
Chove bastante, mas o trânsito flui rapidamente.

Alternativas: usam as conjunções ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer; expressam a ideia de alternância, situações que se apresentam de forma alternada.
Tenho pouco tempo hoje para exercícios. Ou vou ao futebol, ou faço uma caminhada.

Conclusivas: usam as conjunções logo, portanto, pois (depois do verbo), assim, por isso; expressam uma conclusão para o que foi exposto antes.
Gosto de ensinar, logo sou professora.

Explicativas: usam as conjunções que, porque, pois (antes do verbo); explanam ou justificam aquilo que foi dito antes.
Pesquisem e estudem, que terão bons resultados nas provas.

Vamos ao teste sobre orações coordenadas. É praticando que se aprende.

Numere a segunda coluna de acordo com a primeira.

1 - Cheguei cedo, pois gosto de escolher um lugar na plateia.

2 - Estudou e pesquisou muito, fez várias provas como treineiro, conseguiu ser aprovado no vestibular, pois.

3 - No curso fundamental não sabia estudar, mas aprendi agora.

4 - Presto atenção nas aulas, que preciso aprender o conteúdo.

5 - Ou vou para a escola hoje, ou terei um mau resultado na prova.

6 - O menino não vacilou nem tremeu.


(   ) oração coordenada aditiva.
(   ) oração coordenada alternativa.
(   ) oração coordenada conclusiva.
(   ) oração coordenada adversativa.
(   ) oração coordenada explicativa.

Uma dica: pode haver mais de uma oração com a mesma classificação.
Mais tarde publico a resposta.







sábado, 15 de junho de 2013

Acento diferencial e acento em monossílabos

Falta ainda falar do acento diferencial. Como o nome diz, é um acento para mostrar a diferença entre palavras com grafia quase igual (exceto na acentuação) e pronúncia diferente.
Atualmente, conforme o novo Acordo Ortográfico, são obrigatórias somente duas palavras em português com acento diferencial:

pôr (verbo), para diferenciar de por (prep.);
pôde (pret. perfeito do verbo poder) - para diferenciar de pode (pres. do verbo poder).

Para memorizar isso, é bom pensar que as duas palavras começam com po.

Agora, vamos ver os monossílabos. Monossílabos são palavras com apenas uma sílaba.
São acentuadas aquelas consideradas tônicas e terminadas em á(s), é(s), ó(s), como

já, hás (v. haver), fé, pés, nó(s). 

Vamos lembrar que monossílabos como os pronomes me, te, se, nos, vos são considerados átonos e não são acentuados. Se você observar a pronúncia do português de Portugal, verá que nesses monossílabos átonos as vogais quase desaparecem na língua falada. Daí a diferença entre monossílabos tônicos e átonos.
Os monossílabos tônicos têm a vogal bem pronunciada tanto no português de Portugal como no do Brasil.

Também são acentuados os monossílabos em que há ditongo aberto, como

céu, dói.

Teste sobre acentuação.
Acentue, quando couber, as palavras das frases seguintes:
Ha razões que desconhecemos.
Brasilia tem um belo por-do-sol e um ceu lindo.
Embora cansado, ele pode chegar ao topo do monte ontem.
Voce sempre pode recomeçar.

Publicarei aqui as respostas mais tarde.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Uso de vírgula - resposta do teste

Aqui está o teste de ontem  respondido.



Numere a segunda coluna de acordo com o uso da pontuação na primeira.

a) Na semana passada, estudei muito.

b) Estou em provas nesta semana, meu amigo.

c) Quando tenho provas, não saio no fim de semana.

d) Vi meu amigo, um menino do setor sul da cidade, na livraria do shopping.

e) O menino, que é um ótimo amigo, estava triste ontem.

f) Chegando a seu lado, cumprimentei-o alegremente.

g) Olhei, vi o que acontecera, não falei nada.



( e ) Separando a oração subordinada adjetiva explicativa.

( f ) Separando a oração reduzida de gerúndio.

( d ) Separando o aposto.

( b ) Separando o vocativo.

( a ) Separando o adjunto adverbial deslocado para o início da oração.

( c ) Separando a oração subordinada adverbial.

( g ) Separando as orações coordenadas assindéticas.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A vírgula separando termos da oração

Continuamos com o tema do uso da vírgula.
Vimos nos artigos anteriores alguns casos de uso de vírgula separando orações. Estamos vendo aqui o uso de vírgula separando termos na oração.
Vocativo
O vocativo é uma expressão de chamamento, como aquelas utilizadas pelas mães:
- Junior, vá arrumar sua cama.
- Que é isso, menino?
Junior e menino são vocativos, termos sempre separados por vírgula.

Aposto
O aposto explica algum atributo do antecedente, como nas orações seguintes.
Ellen, minha colega de faculdade, ainda mora em Porto Alegre.
Junior, meu vizinho de prédio, estuda na mesma escola que meu neto.
Os termos minha colega de faculdade e meu vizinho de prédio explicitam atributos dos antecedentes Ellen e Junior e são separados por vírgulas.

Adjunto adverbial
O adjunto adverbial - expressão que acrescenta uma circunstância ao verbo, como de tempo ou modo - é separado por vírgula quando antecipado para o início da oração  ou vírgulas, quando intercalado na oração.
No ano passado, o mês de junho foi mais quente.
As chuvas, neste ano, se prolongaram bastante.

Separando os núcleos do sujeito ou do objeto (complemento verbal)
Luís, Mário, Afonso e eu nos formamos em 1980.
Minha mãe comprou livros, lápis, cadernos, tudo.

Luís, Mário, Afonso são núcleos do mesmo sujeito e ainda o pronome eu. Os três primeiros são separados por vírgulas, o que não acontece com o pronome eu, que vem precedido pela conjunção e.

Livros, lápis, cadernos, tudo são núcleos do mesmo objeto direto, que complementa o verbo comprou.

Se você estudar os casos de uso de vírgula separando orações, assunto dos  posts anteriores, e estes casos vistos aqui, já terá visto grande parte dos casos de uso de vírgula.